sábado, 23 de junho de 2012

UMA BREVE INTRODUÇÃO = )

Introdução: a conduta humana, suas característcas e a finalidade do blog = )

Toda ação humana pressupões a consecução de determinados fins, sendo o homem um ser teleológico. Com efeito, nenhuma atividade sua ocorre isoladamente, pois ainda que inconscientemente, todas elas estão sujeitas aos mais diversos impulsos, que nos guiam para a satisfação de nossas necessidades fisiológicas, pessoais, psicológicas, afetivas, sociais, etc... Assim sendo, por trás de toda ação humana, de todo impulso, como o ato de mentir, litigar, ou seduzir, há um desejo implícito, inconsciente, que visa a realização de um fim.
Entretanto, tal afirmação nem sempre é observada no debate nacional. Aquilo que hodiernamente chamamos de cultura de massa, oferece através dos meios de comunicação uma visão maquiada da verdade, contaminada por juízos simplistas, infundados e por muito maniqueísmo, como se a sociedade fosse constituída por pessoas plenamente boas ou más, gerando assim, precoconceitos de todas as espécies. Consideram toda conduta humana atípica como consequências de atos do caráter da pessoa isoladamente, quando não atribuem tal conduta às influências do meio em que vive.
Por outro lado, as construções humanas não ocorrem de modo isolado, quer dizer, o homem age em conformidade com o que aprende, com seus valores, suas necessidades e sua cultura.


(Hierarquia das necessidades de Maslow)

Para comprovar tais premissas, repousemos em alguns marcos da história do homem:
O comportamento humano só pode ser compreendido se observado em todas as suas dimensões, em sua totalidade, sendo o elemento histórico da constituição de uma de uma sociedade o fator fundamental para seu desenvolvimento. 
Sendo assim, Atenas obteve relevante destaque no plano cultural e muito influenciou o pensamento ocidental: enquanto as demais sociedades da antiguidade se organizavam em Estados Teocráticos, Atenas construiu as bases do que hoje chamamos de sistema democrático, fomentando o debate, a crítica e a participação dos cidadãos (ainda que o conceito de cidadãos se limitasse à camada aristocrata da sociedade, denominadoaEupátrida, excluindo mulheres, estrangeiros e escravos). O desenvolvimento das artes, do teatro, da literatura e da filosofia são marcas deste Estado pluralista e democrático, sendo inconcebível de se cogitar a possibilidade do florescimento destas instituições nos Estados centralizados e autoritários de seu tempo, nos quais os princípios, objetivos, verdades e valores, eram criados unilateralmente e impostos, sem espaço para a liberdade de expressão. 
Com a derrocada do império romano,  e o advento do feudalismo, ocorre o êxodo urbano, quer dizer, a migração das famílias para o campo em busca de proteção contra os bárbaros em toda Europa, ficando o ônus de educar às pessoas a cargo da Igreja. Com a descentralização política, o fim das cidades e o monopólio do conhecimento jungido à uma instituição tradicionalmente dogmática, houve categórica estagnação no campo da construção intelectual.  
Este movimento dialético, de sopreposição de um pensamento antagônico à outro, representa bem como o homem produz conhecimento em função de condicionamentos históricos. Durante a Idade Moderna, constatam-se as maiores oscilações no que tange ao comportamente humano, pois este se encontra em um mundo de incertezas, conflitos e medo do desconhecido. Por vezes, submetia-se vontades de Deus, dedicando-se ao trabalho, aos deveres morais e à oração, contaminado por um pensamento teocêntrico, e noutras, dedicava-se a satisfações da carne e aos prazeres, aos apetites, neste caso norteado por um pensar antopocêntrico.  



"Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado" (Karl Marx).

Com a ascenção das ideias iluministas e a paulatina crise das doutrinas absolutistas, surge o positivismo e as ideias de que o pensamento científico deva prevalecer em detrimento do pensamento metafísico, religioso, filosófico, ou qualquer outro que não possa ser empiricamente comprovado. Esse é sem dúvida, o pensamento que melhor projeta a essência da contemporaneidade. Todavia, hodiernamente é sabido que tais ideais apresentam limitações, pois a ciência stritus sensu é fechada, obstando a liberdade crítica, essencial para o desenvolvimento humano. Por assim ser, as ciências contemplativas das relações humanas, como a história, a filosofia, a ética, a sociologia e o direito, vêm cada vez mais, se movendo em direção à construção de pensar humanista, crítico, autônomo, pluralista e participativo. 
Em suma, o escopo das ciências humanas nos dias atuais, é construir um pensar capaz de transformar o comportamente humano, levando-o a emancipar-se política e espiritualmente. O homem não faz as coisas por fazer. A ocupação de terras, as greves trabalhistas, as manifestações sociais, as alianças políticas, o consumismo, o preconceito, e a invasão de uma reitoria por estudantes, os abusos a polícia, os crimes em geral, por exemplo, não são dados ao acaso, não ocorrem por si mesmos, de modo isolado, mas em harmonia com um complexo conjunto de fatores objetivos, que devem ser rigorosamente considerados para a consecução de conclusões profícuas e suscetíveis de aceitação científica. 
Por tanto, este blog tem por objetivo fomentar o debate, a crítica e o desenvolvimento do pensamento, sem detrimento da pluralidade de ideias, pois se o homem é a medida da produção cultural de seu tempo, será pela conscientização e pela cultura que este deverá buscar sua emancipação.
 Todas as opiniões serão bem vindas = )

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